Recife (bairro) – Wikipédia, a enciclopédia livre

Recife
(Recife Antigo)
  Bairro do Brasil  
Rua Bom Jesus localizada no bairro Recife
Rua Bom Jesus localizada no bairro Recife
Rua Bom Jesus localizada no bairro Recife
Localização
Localização do bairro Recife na cidade do Recife
Localização do bairro Recife na cidade do Recife
Localização do bairro Recife na cidade do Recife
Coordenadas
Unidade federativa  Pernambuco
Zona RPA 1
Município Recife

Recife, mais conhecido como Recife Antigo, é um bairro da cidade do Recife, Pernambuco, Brasil que corresponde à parte leste do seu Centro Histórico.[1]

Em seu ponto mais oriental, no Porto do Recife, situa-se a Praça Rio Branco – o Marco Zero,[nota 1] margeada pelo encontro dos rios Capibaribe e Beberibe com o Oceano Atlântico.[1]

Marco Zero
Rua do Bom Jesus

O bairro do Recife surgiu na primeira metade do século XVI. O ponto de origem da povoação foi um porto, construído para escoar pau-brasil e os produtos da atividade agro-açucareira de Olinda, então capital pernambucana.[2] Instalado o porto, em seguida houve a necessidade de construir depósitos para armazenar as mercadorias, também foram erguidas as casas para servir como residências dos trabalhadores portuários e, assim, nasceu a comunidade.[3]

Inicialmente o bairro era denominado Arrecife dos Navios e se estendia, desordenadamente, por uma área de aproximadamente dez hectares, com a construção das casas não seguindo nenhum ordenamento: a abertura de ruas obedecia apenas à vontade dos que ali se fixavam.

Só durante o domínio holandês, precisamente com a chegada do conde Maurício de Nassau a Pernambuco (1637), é que o bairro passou a ter algum planejamento. Nessa época, eram 15 ruas e uma praça. Por conta da movimentação do porto, o povoado logo se tornaria bastante habitado. Em 1654, por exemplo, quando os holandeses deixaram Pernambuco, o hoje bairro do Recife já contava com trezentos prédios - entre os quais a Casa da Câmara, a Igreja do Corpo Santo, a Cadeia e vários Armazéns.

Antiga Rua dos Judeus, 1855.
Parque de Esculturas Francisco Brennand

Em 1709, os comerciantes locais receberam autorização da Coroa Portuguesa para instalar ali a Vila de Santo Antônio do Recife, o que só ocorreria dois anos mais tarde e depois de uma guerra civil com Olinda. No local do antigo ancoradouro, em 1918 foi inaugurado o Porto do Recife, o que deu um impulso ao desenvolvimento econômico do bairro. O London Bank e Associação de Comércio do Estado de Pernambuco foram instalados nessa época, quando o Recife Antigo passou por uma reformulação, destruindo alguns antigos sobrados para dar lugar a prédios mais modernos ao estilo das edificaçãos de Paris, capital da França, considerada um símbolo da modernidade. Entre as décadas de 1950 e 1970, o Recife Antigo viveu uma movimentada fase. No começo da década de 1980, quando deram início as operações do Porto de Suape, deixaram o Porto do Recife em plano secundário, e o bairro do Recife entrou em decadência. De grande centro comercial e importante ponto de embarque e desembarque de mercadorias para todo o nordeste brasileiro, o bairro do Recife passou a abrigar apenas escritórios contábeis ou de representação, e acima de tudo, os bordéis recifenses. Os seus moradores migraram para outras regiões do Recife, e com o tempo, o rico conjunto arquitetônico da área foi se deteriorando. Só na década de 1990 é que tiveram início os projetos de recuperação arquitetônica do casario do bairro do Recife.

Em 2003, o bairro do Recife já contava com vários prédios históricos restaurados, e outros trechos do casario em recuperação e, pelo menos, três pólos de lazer consolidados. A população residente era insignificante, isso se comparada à de outras épocas, apenas 700 moradores, o que deu ao bairro o título de segundo bairro menos populoso da capital pernambucana. Mas, é para o Recife Antigo que não só a prefeitura, como também o governo do estado, estão pondo grandes programações turístico-culturais, como o Carnaval e as festividades do ciclo natalino recifense.

O bairro foi transformado, através de um programa gradual de revitalização urbana, num dos principais pólos de lazer e cultura da cidade. Vários imóveis foram restaurados, e hoje são utilizados para fins culturais, empresariais e comerciais.

Está inserido no Complexo Turístico Cultural Recife e Olinda, desenvolvido pela empresa portuguesa Parque Expo, a mesma responsável pela revitalização da zona portuária de Lisboa para a Expo 98. O porto está abrindo um processo de licitação para o uso dos vários imóveis ociosos, para fins de atividade turística e cultural.

Os principais pontos turísticos e culturais do bairro são:

Comunidade do Pilar

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A Comunidade do Pilar é hoje um setor do bairro do Recife, na cidade do Recife, Pernambuco, Brasil. No passado era um povoado denominado Fora-de-Portas. O povoado surgiu muito depois da restauração das Invasões holandesas do Brasil. A comunidade situou-se próxima do Forte de São João Batista do Brum e da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, que deu origem ao seu nome. A Igreja foi construída sobre as ruínas do Forte de São Jorge. O nome anterior, Fora-de-Portas, era uma referência ao povoamento além das Portas do Recife de Olinda na área norte onde existia esse forte.

Iniciada no ano de 2010, a construção do conjunto habitacional do local ainda não foi concluída até o presente (Janeiro de 2020). A reportagem do Portal LeiaJá visitou a comunidade, e constatou: não há um operário em atividade e as obras estão completamente paradas. Entulhos, telhas empilhadas e o mato crescido reforçam o cenário de abandono no terreno. Segundo os moradores, nenhum trabalhador aparece na construção há muito tempo. Os moradores da comunidade do Pilar seguem à espera de soluções.

No projeto da Prefeitura, além do conjunto habitacional, ainda são previstos para a comunidade a construção de uma escola municipal, Unidade de Saúde da Família, mercado público, praças, espaços para atividades artístico-culturais, quadra poliesportiva, entre outras ações que tinham a promessa de “transformar a região num grande atrativo turístico”.

  • Na semana pré-carnavalesca, ocorre o festival pré Amp, organizado pelos próprios músicos do estado participantes de uma entidade chamada Articulação Musical Pernambucana (AMP). O evento reúne a diversidade da cena musical de Pernambuco.
  • Durante o carnaval, realiza-se o festival Recbeat, que, assim como o Pré Amp, é um festival de música da cena musical de Pernambuco e do Brasil, apresentando artistas de várias partes do país.

Notas e referências

Notas

  1. Ver outras localidades conhecidas por Marco Zero

Referências

  1. a b «Recife (Bairro)». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  2. cyclopaedia, National (1884). The national encyclopædia. Libr. ed (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  3. Planning Forum (em inglês). [S.l.]: University of Texas at Austin, Graduate Program in Community and Regional Planning, School of Architecture. 2003 

Ligações externas

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